Investimento direto no país tem pior resultado para 1º semestre desde 2015

Com o ingresso de US$ 4,8 bilhões em junho, o Investimento Direto no País (IDP) fechou o semestre em US$ 25,4 bilhões, a menor entrada para o período desde 2015, quando o IDP foi de US$ 25,3 bilhões. As incertezas econômicas causadas pela crise do coronavírus levaram a um forte retração de investimentos em países emergentes como o Brasil. A estatística foi divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira.

Em momentos de crise, investidores tendem a adiar investimentos ou redirecionar recursos para ativos mais seguros, por exemplo, em países que oferecem menos incertezas e riscos.

Apesar da queda brusca em relação aos anos anteriores, o IDP vem subindo desde que registrou, em abril, o pior resultado em 25 anos. O ingresso de US$ 4,8 bilhões em junho superou a expectativa do BC que era de US$ 3,5 bilhões. Para julho, o Banco Central espera ingresso líquido de US$ 2 bilhões.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avalia que o resultado do mês surpreendeu positivamente. Segundo Sanchez, a surpresa nesse aspecto pode ser explicado pelo câmbio alto, que faz com que investimentos no Brasil fiquem mais baratos, e pela melhora na perspectiva brasileira.

— O fator preponderante é uma melhora na perspectiva tanto brasileira quanto de risco global, porque o apetite de risco por avançados já praticamente está recomposto e por emergentes vêm se recompondo gradativamente. Há uma perspectiva de melhora nesse aspecto, mas o câmbio é algo que também favorece.

Nos últimos doze meses, o IDP registrou ingresso de US$ 71,7 bilhões (4,41% do PIB) resultado superior aos US$ 67,5 bilhões (4,05% do PIB) no mês anterior.

Mercado

Depois quatro meses seguidos de mais recursos saindo do que entrando, o mercado financeiro registrou um ingresso líquido de US$ 2,4 bilhões em junho. Foram US$ 1,9 bilhões em títulos de dívida e US$ 432 milhões em ações e fundos de investimentos.

No entanto, a conta ainda está negativa. O BC registrou uma saída líquida de US$ 31,3 bilhões e um ingresso de US$ 9,1 bilhões.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já relatou em outras ocasiões que essa saída de recursos está ligada a um fenômeno de busca por qualidade dos ativos. Em um momento de crise, os investidores buscam resguardar seu dinheiro em investimento mais seguros, como no dólar, e tiram de lugares com mais risco, como países emergentes.

Contas externas

Também pelo quarto mês seguido, as contas externas de junho fecharam em superávit. O resultado de US$ 1,3 bilhão positivo aconteceu principalmente devido a redução no déficit em serviços e o aumento de US$ 2,2 bilhões no superávit comercial.

Com esses sucessivos resultados positivos, as contas externas concluíram o semestre com déficit de US$ 9,7 bilhões, praticamente a metade do déficit de US$ 21 bilhões registrados no mesmo período de 2019.

Com uma desacelaração no comércio mundial, o Brasil tem reduzido mais as importações do que as exportações. Em junho, as importações caíram 19,1% na comparação com o mesmo mês de 2019, enquanto as exportações recuaram apenas 2,3%. A maior entrada de recursos e saídas menores contribuem para a redução do déficit.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, explica que também há um efeito do patamar alto do dólar nos últimos meses.

— O dólar favorece a vender ou pelo menos sustentar a venda, porque a gente não está tendo uma “superexportação”. Estamos tendo uma sustentação relativa das exportações, agora, na importação fica muito mais caro trazer o produto. Ainda com a fraqueza da atividade, sem a necessidade de renovação dos estoques, a gente acaba vendo as importações cedendo um pouco.

Outro fator que contribui é a diminuição no turismo mundial. O Brasil tradicionalmente tem déficit nas contas de viagens, com brasileiros gastando mais no exterior do que estrangeiros no país. Nos meses da pandemia, essa diferença tem pesado menos. Na comparação interanual, as receitas caíram 55,3% enquanto as despesas reduziram 84,3%.

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