Hard seltzer: a “não cerveja” que revoluciona o mercado cervejeiro nos EUA

Em meio à crise do novo coronavírus e uma queda brusca no consumo de cervejas nos bares, uma novidade está despontando como salvadora da pátria para as cervejarias americanos. É a hard seltzer, uma bebida alcóolica gaseificada, feita à base de suco e vendida principalmente em latinhas. Segundo Dave Burwick, presidente da Boston Beer, maior cervejaria artesanal dos EUA, fabricante da Samuel Adams, é a maior revolução do mercado desde o lançamento das cervejas Light, nos anos 70.

Burwick fala com conhecimento de causa. Sua cervejaria é dona da marca Truly, de hard seltzer, que impulsionou os resultados da companhia no segundo trimestre. Graças às vendas de hard seltzer, as ações da Boston Beer subiram 25% nesta sexta-feira. As ações da cervejaria, que tem cerca de 1% do mercado americano, já subiram 119% no ano. As vendas da companhia cresceram mais de 35% no último trimestre e os lucros por ação avançaram 100% em relação ao ano anterior.

“Os millenials, entre 21 e 35 anos hoje, não estão bebendo tanto quanto as pessoas que vieram antes, mas estão bebendo melhor. Quando você olha para as tendências de saúde e bem estar, buscar por variedade e premiunização, tudo dá suporte ao crescimento da categoria de hard seltzer”, disse Burwick ao site CNBC.

A hard seltzer cresce por não ter glúten, ter menos calorias e carboidratos que as cervejas, e teor alcóolico semelhante (entre 4% e 5%). O álcool de sua composição pode vir do açúcar de cana ou do malte de cerveja. As primeiras marcas surgiram nos EUA há cerca de quatro anos, e mais recentemente até gigantes como as Bud Light lançaram suas versões da bebida. É a mais nova onda do maior mercado cervejeiro dos EUA, depois das root beers, cervejas doces e em geral sem álcool que viraram febre nos últimos anos. Já há marcas brasileiras de hard seltzer, como a Joví, a Three Monkeys e a Novo Brazil.

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