Presidente do BB, Rubem Novaes entrega pedido de renúncia a Bolsonaro

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, entregou pedido de renúncia ao cargo ao presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, 24. A saída deve ocorrer em agosto em data ainda a ser comunicada ao mercado. Segundo fato relevante, o pedido de renúncia se deu, pois o executivo entende que o banco “precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário”.

Novaes foi um dos executivos escolhidos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para assumir as principais instituições econômicas. O grupo ainda conta com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O substituto será indicado pelo presidente Bolsonaro, em linha com o que o estatuto social do BB define. 

Um ex-diretor do BB, que preferiu não se identificar, disse que “a notícia pegou de surpresa até os mais próximos”.

Defensor da privatização do BB, Novaes disse em entrevista à Exame, no fim de maio, que os planos nesse sentido estavam “paralisados”. “Uma crise econômica mundial desta dimensão resulta sempre na paralisação de negócios que envolvem participações e parcerias. Isso é natural já que a própria precificação dos negócios fica muito prejudicada e os ativos perdem valor. No Banco do Brasil, não é diferente e alguns projetos que avaliávamos estão paralisados no momento. Poderemos retomar as discussões no futuro próximo, quando as condições de mercado ficarem mais claras e desde que agreguem valor aos negócios do Banco”, afirmou na ocasião.

Um mês antes da entrevista, na reunião do dia 22 de abril, Guedes criticou a atuação de Novaes à frente do BB. Ele disse que o governo “faz o que quer” com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, mas no BB “não consegue fazer nada”, mesmo tendo um “liberal lá”, em referência a Novaes, que estava no encontro. “Tem que vender essa porra logo”, disse Guedes.

Para Guedes, o Banco do Brasil “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”. “Se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.’ . Aí se falar assim: “bota o juro alto”, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirmou o ministro da Economia durante encontro com ministros e outras autoridades, entre elas Novaes.

Novaes disse ainda, durante a entrevista à Exame, que o Banco do Brasil fez uma importante correção de rumos nos últimos anos, recuperando a eficiência de sua atuação e diminuindo a grande diferença na rentabilidade em relação aos seus principais concorrentes. “Isso faz diferença neste momento e permite que possamos manter a oferta de crédito aos nossos clientes e ajudá-los a atravessar esse período de turbulência. Crises econômicas são desafiadoras para qualquer banco, mas acredito que o BB irá encontrar menos dificuldades do que os concorrentes devido à característica da nossa carteira de crédito. Somos o principal banco dos servidores públicos e do agronegócios, que são segmentos de clientes que tendem a atravessar melhor este período mais difícil.”

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