Marca de jeans brasileira lança tecido que promete “derreter” coronavírus

Depois de marcas de vestuário como Lupo e Malwee terem apresentado máscaras e camisetas anti-covid, a multinacional brasileira Vicunha está lançando uma coleção inédita no segmento de jeanswear que promete “derreter” a membrana de revestimento do SARS-CoV-2, popularmente conhecido como coronavírus

A tecnologia empregada para neutralizar diversos tipos de vírus, bactérias e fungos foi criada pela empresa de inovação têxtil suíça HeiQ, que utilizou uma combinação de sais de prata e vesícula lipossomal, um princípio recorrentemente usado na produção de remédios contra o câncer. Enquanto os sais de prata se conectam ao vírus, os polissomas puxam e destroem o capsídeo viral, que tem como função proteger e facilitar sua proliferação.

Os testes conduzidos em laboratório pela HeiQ e pelo Instituto Peter Doherty de Infecção e Imunidade em Melbourne, na Austrália, comprovaram que a técnica consegue eliminar 99% dos vírus presentes no tecido. Além de efeito antiviral comprovado, a tecnologia tem efeito também contra alguns tipos de bactérias e fungos.

Presente na América Latina, Ásia e Europa, a Vicunha fornecerá os tecidos jeans antivirais para que marcas de moda produzam e comercializem vestimentas feitas do material. “O consumidor precisa da ajuda da indústria e do varejo para acessar soluções adequadas à sua nova forma de viver. Por isso desenvolvemos tecidos especiais para atender aos novos anseios da sociedade neste momento”, diz German Alejandro, diretor de marketing e vendas da companhia. A técnica que agora será aplicada nos tecidos jeans pela Vicunha é semelhante à utilizada por Lupo e Malwee, o que pode indicar a popularização de produtos deste tipo. 

A novidade é uma das primeiras tecnologias têxteis do mundo com eficácia contra o coronavírus comprovada em laboratório. A coleção chamada V. Protective também contará com tecidos que repelem líquidos e gotículas de saliva. “O consumidor está revisando suas prioridades. Não é de hoje que ele está em busca de produtos que facilitem sua rotina. Com a pandemia, essa necessidade acelerou”, diz German.

A moda pega?

Embora nos últimos meses roupas e máscaras que inibem ou mesmo destroem o coronavírus venham se popularizando, a viabilidade deste mercado fora de nichos específicos, como de EPIs hospitalares, ainda é incerta. 

A Chroma–Líquido Tecidos Tecnológicos, joint venture formada entre o Grupo Chroma e a Líquido Indústria Têxtil, passou a ser homologada exclusiva da Rhodia, empresa do Grupo Solvay, para produzir artigos têxteis que utilizem o fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF em todo o mercado automotivo, aéreo e ferroviário. O fio desenvolvido no Brasil conta com tecnologia antibacteriana e antiviral. 

Segundo o CEO Luís Gustavo de Crescenzo, além de vestimentas casuais, máscaras e EPI’s, os artigos fabricados com o fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF podem ser utilizados em bancos de carros, ônibus, caminhões, aviões e outros meios de transporte. “O tecido produzido com o novo fio é indicado para uso profissional por causa do efeito permanente da ação antiviral e antibacteriana, resistindo a atritos, higienizações e lavagens constantes, como exigem os assentos do transporte público, por exemplo”. 

Para os próximos 12 meses, a joint venture produzirá 10.000 toneladas do fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF e estima faturamento de 250 milhões de reais com a nova unidade de negócio. A Chroma-Líquido também enxerga um mercado potencial superior a 5 bilhões de reais. A dúvida é se, depois da pandemia, pessoas e empresas irão querer pagar mais caro por esse tipo de tecido. 

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