Entregadores de aplicativo fazem greve no país; veja fotos e vídeos

<p>Manifestação e paralisação de motoristas de entrega de comida por aplicativo em Belo Horizonte (MG), nesta quarta-feira (1), por melhores condições de trabalho, e por apoio em meio a pandemia da Covid-19, do novo coronavírus. fOTO:Allan Calisto, Futura Press-AE</p>(Allan Calisto, Futura PressEstadão Conteúdo)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo em Minas Gerais</p>(CRISTIANE MATTOSEstadão Conteúdo)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo no Rio de Janeiro</p>(JOãO CARLOS GOMESEstadão Conteúdo)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo em São Paulo</p>(PAULO LOPESEstadão Conteúdo)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo em São Paulo</p>(WERTHER SANTANAEstadão ConteúdoAgência Estado)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo em Minas Gerais</p>(CRISTIANE MATTOSEstadão Conteúdo)
<p>Protesto de entregadores de aplicativo em São Paulo</p>(JOCA DUARTEEstadão Conteúdo)

Nesta quarta-feira, 1º, entregadores de aplicativos promovem um greve nacional exigindo melhores condições de trabalho, medidas de proteção contra os risco de infecção pelo novo coronavírus e mais transparência na dinâmica de funcionamento dos serviços e das formas de remuneração.

A paralisação foi chamada por trabalhadores de empresas como Rappi, Loggi, iFood, Uber Eats e James. Os organizadores dizem que o movimento foi construído por meio da interlocução por grupos na internet, embora algumas entidades tenham se somado, como associações de entregadores, motofrentistas e o Sindimoto, sindicato da categoria.

Em São Paulo, os entregadores chegaram a fechar rapidamente a Avenida dos Bandeirantes, na Zona Sul. No final da manhã, parte dos manifestantes se concentrou na frente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e bloqueou uma das pistas da Rua da Consolação, na região central.

Um dos organizadores foi o entregador Paulo Lima, conhecido por Galo, que ficou conhecido nas redes sociais por criar o movimento dos Entregadores Antifascistas.

Por volta das 14h, a passeata chegou à Avenida Paulista, onde permaneceu por volta de 40 minutos. Em frente ao Masp, onde a aglomeração de motofretistas ocupou uma quadra inteira, lideranças do movimento discursaram de um carro de som. “Sem motoboy na rua o Brasil não anda. A gente é que leva os exames, a gente é que leva a pizza”, disse uma liderança.

Os manifestantes carregavam placas e cartazes enfatizando a importância de seu trabalho durante a pandemia do novo coronavírus. Muitos deles lembravam que garantiam às pessoas o privilégio de ficar em casa e receber seus produtos sem precisar sair à rua.

Em Pernambuco, um grupo também fez uma passeata no Centro de Convenções de Olinda. Em entrevista à agência Marco Zero, de Recife, uma das lideranças do movimento, a entregadora Pammela Lima, disse que se inspirou no movimento paulista para começar a mobilização em seu estado.

Há registros de paralisações também em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e até em Buenos Aires, na Argentina. Por conta da greve, os aplicativos estão fazendo entregas nesta quarta-feira de carro e de táxi.

Nas redes sociais, há grande mobilização para o movimento, batizado de #brequedosapps. Dois hasthags sobre o tema estavam nos dois primeiros lugares entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil no começo da tarde.

Agora na Consolação centenas de entregadores mobilizados por melhores condições de trabalho#ApoioBrequeDosAPPs #BrequeDosApps pic.twitter.com/MiDWJJYCHu

— Pedro Martinez (@phvmartinez) July 1, 2020

Salve, rapaziada!
O bonde do #BrequeDosApps em BH está fervendo. pic.twitter.com/ZrIuBxNF9f

— Treta no Trampo (@tretanotrampo) July 1, 2020

Reivindicações

Os entregadores cobram o aumento das taxas mínimas recebidas por cada corrida e o valor mínimo por quilômetro. Atualmente, eles são remunerados por corrida e pela distância percorrida, e por isso esses dois indicadores acabam definindo o pagamento por cada entrega.

Os trabalhadores reclamam também dos baixos valores e da variação deles para baixo. Outra reivindicação é a mudança dos bloqueios dos trabalhadores, que consideram arbitrários. Eles criticam o fato de motoristas terem sua participação suspensa ou até mesmo cancelada a partir de critérios não claros e sem a possibilidade de apuração dos ocorridos e de direito de defesa dos envolvidos.

Tanto em relação à remuneração quanto aos bloqueios, os entregadores questionam a falta de transparência das plataformas, que não deixam claras as formas de cálculo dos pagamentos e os critérios utilizados para a suspensão das contas dos trabalhadores.

Reportagem de capa da Exame em abril mostrou que a procura por aplicativos de entrega explodiu com a pandemia. No iFood, o número de candidatos para trabalhar na plataforma dobrou em março. Foram 175.000 inscrições naquele mês, ante 85.000 inscrições em fevereiro. A Rappi também reportou um crescimento de três vezes na demanda pelo app na comparação entre março e janeiro. Já o Uber Eats teve crescimento de dez vezes na base de restaurantes desde o início da pandemia.

14 horas de jornada

Um estudo de sete pesquisadores, publicada na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano e realizada neste ano, entrevistou entregadores de apps em 29 cidades durante a pandemia.

O trabalho mostrou que mais da metade (54%) trabalham entre nove e 14 horas por dia, índice que aumentou para 56,7% durante a pandemia. Entre os ouvidos, 51,9% relataram trabalhar todos os dias da semana.

Cerca de metade dos entrevistados (47,4%) recebia até R$ 2.080 por mês e 17,8% disseram ter rendimento de até R$ 1.040 por mês. A maioria dos participantes do levantamento (58,9%) afirmou ter tido queda da remuneração durante a pandemia.

Segundo os autores, houve um aumento do número de entregadores como alternativa de pessoas que perderam renda durante a pandemia, mas apesar do aumento de entregas, os valores de hora/trabalho ou bonificação caíram.

Do total, 57,7% declararam não ter recebido nenhum apoio das empresas durante a pandemia para mitigar riscos e 42,3% disseram ter tido algum tipo de auxílio, como equipamentos de proteção e orientações. Independentemente do apoio, 96% comentaram ter adotado algum tipo de medida de proteção, como uso de álcool em gel e máscaras.

O professor de comunicação social da UNiversidade do Vale dos Sinos (Unisinos) e coordenador do projeto Fairwork no Brasil, da Universidade de Oxford, Rafael Grohmann, diz que a análise dessas plataformas em outros países revelou que elas não cumprem requisitos básicos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o trabalho decente: remuneração, condições de trabalho (inclusive saúde), contratos que reflitam a atividade, gestão dialogada e transparente e representação e liberdade de associação.

“As plataformas digitais de trabalho têm mecanismos de vigilância intensa e uma extração de dados dos trabalhadores com uma gestão algorítmica desse trabalho. Acaba virando uma caixa-preta, e o indivíduo acaba ganhando cada vez menos. Os entregadores estão desesperados, ou é isso ou não é nada”, comenta o pesquisador.

(Com Agência Brasil e Agência O Globo)

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