SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula. São Paulo: Perspectiva, 2008.

Essa obra aborda a importância dos jogos no processo de aprendizagem, por meio de oficinas de jogos teatrais. Esses jogos devem ser mediados pelo professor, através de intervenções pedagógicas, onde a avaliação deixa de ser retrospectiva para ser prospectiva (o que poderá ser criado). A avaliação é, portanto, propulsora de aprendizagem.


No jogo teatral, a criança estabelece com o grupo relações de trabalho em que o jogo simbólico é combinado com a prática e as regras, prevalecendo o coletivo, que devem ser aceitas pelo grupo de jogadores. O trabalho com a linguagem do teatro desempenha a função de construção de conteúdos, através da forma estética.
Nessa obra, é enfatizada também a narração de estórias, que podem ser encenadas por crianças e jovens.
Os jogos teatrais deste livro consistem em exercícios dirigidos aos professores, que auxiliam o aluno a desenvolver habilidades de performance, e levando-os a uma compreensão do que é ser artista, ajudando a criar um bom ambiente de trabalho.


POR QUE TRAZER OS JOGOS TEATRAIS PARA SALA DE AULA?
Porque a oficina de teatro pode tornar-se um lugar onde professores e alunos encontrem-se como parceiros de jogo, prontos para se comunicar, experimentar, responder e descobrir. Elas são complementares à
aprendizagem escolar, pois desenvolve o intelecto dos alunos. Elas são úteis para desenvolver habilidade de comunicação, por meio do discurso e da escrita, e de formas não verbais.


JOGOS – Os jogos e exercícios foram desenvolvidos para estimular a ação, a relação, espontaneidade e criatividade me grupo.
BRINCAR – Através da brincadeira, as habilidades e estratégias para o jogo são desenvolvidas. Muitas habilidades aprendidas por meio do jogo são sociais.
LIBERDADE – O jogador precisa estar livre para interagir e experimentar seu ambiente social e físico.
INTUIÇÃO – A experiência nasce do contato direto com o ambiente por meio de envolvimento orgânico com ele. Isso significa envolvimento em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo. O intuitivo só pode ser sentido no momento da espontaneidade.
TRANSFORMAÇÃO – Transformações são mágicas teatrais e uma parte intrínseca da maioria dos jogos teatrais.
TRÊS ESSÊNCIAS DO JOGO TEATRAL
FOCO – Cada foco determinado na atividade é um problema essencial para o jogo que pode ser solucionado pelos participantes. O esforço em permanecer com o foco e a incerteza sobre o resultado, cria apoio mútuo e gera envolvimento.
INSTRUÇÃO – É o enunciado que mantêm o jogador com foco, é o seu guia, gerando interação, movimento e transformação.
AVALIAÇÃO – É o momento certo para que professores e jogadores discutam sobre a maneira certa de fazer algo. A avaliação não deve ser um julgamento nem momento para criticar


APROVAÇÃO/DESAPROVAÇÃO
Como mediadores, não estamos livres da necessidade de dar e receber aprovação ou desaprovação, mas nenhum jogador deve ser ridicularizado ou menosprezado. Deve-se estabelecer parcerias e assumir responsabilidades.


FORMATO DO JOGO
Os jogos possuem variações, cada uma delas soluciona um problema diferente para o aluno. Cada professor descobrirá que pode inventar muitos acréscimos ao desenvolver o trabalho.


OFICINA DE JOGOS TEATRAIS
Uma oficina é uma sequência de atividades com jogo teatral ou grupo de teatro. Os jogos de aquecimento ou introdutórios promovem a integração do grupo:


CONTROLE – O professor deve manter a liberdade criativa, mas sem descartar a disciplina.
ENERGIA – Manter a energia elevada do grupo, os mantêm no foco. Os alunos devem sentir-se envolvidos.
ORDEM DO DIA
O professor deve trazer para a oficina vários jogos, de forma a manter o entusiasmo. Se alguns deles não agradar, deve ser substituído.


ÁREA DO JOGO
É qualquer espaço amplo o suficiente para acomodar o jogo, jogadores e plateia.


GRUPOS
Devem ser selecionados de forma aleatória.


MEDO DE PARTICIPAÇÃO
O aluno que não quer jogar deve ser mantido à vista e encorajado à eventual participação.


ACORDO DO GRUPO
No acordo do grupo, os jogadores devem ter liberdade de escolha. Ninguém deve assumir a tomada de decisões, deve haver respeito mútuo.


PROJETANDO OFICINAS PARA ENCONTRAR NECESSIDADES ESPECÍFICAS
Existem pelo menos três níveis de jogos: Participação, Solução de Problemas e Ação. É necessário encontrar o equilíbrio entre as três.


AQUECIMENTOS
São sempre recomendados antes das oficinas, ou após, para elevar os espíritos e revigorar os jogadores. Os aquecimentos removem a distração externa que os jogadores podem trazer consigo.


JOGOS TRADICIONAIS COMO AQUECIMENTO
Reúnem os jogadores e fazem com que aceitem as regras e compreendam os benefícios de jogar. Os jogos tradicionais liberam fortes respostas fisiológicas.
JOGOS DE PLAYGROUND
Exemplo 1 – Revezamento Com Objeto – O primeiro jogador do grupo deve correr até o gol estipulado, tocá-lo e entregar o objeto para o próximo jogador que fará o mesmo, até que vencerá o grupo mais rápido.


JOGOS DE MOVIMENTO RÍTMICO
Eles também são úteis como aquecimento proporcionando aos jogadores a exploração de movimentos corporais. Eles também são úteis como jogos introdutórios, pois ampliam as noções de espaço.
Exemplo 2 – Onda do Oceano – Ajuda os jogadores a moverem-se em uníssono. Os jogadores colocam suas cadeiras em forma de círculo, deixando uma delas vazia. Um jogador posicionado no centro dá o comando para os jogadores moverem-se, para direita ou esquerda. Nesse meio tempo o jogador do centro procura obter um assento. Aquele que erra tomará o lugar central.


CAMINHADAS NO ESPAÇO
Os jogos de movimento rítmico focalizam a exploração e consciência do próprio corpo em movimento.
Exemplo 3 – Caminhando no Espaço – O Esqueleto – Objetivo : Sentir o corpo fisicamente. Os jogadores devem caminhar focalizando o movimento do esqueleto – ossos e articulações.


JOGOS DE TRANSFORMAÇÃO
Na oficina, os jogos com objetos no espaço oferecem uma orientação ideal para jogadores e permite que emirjam sentimentos e pensamentos internos. Os objetos no espaço devem ser vistos como criações do “eu” interior invisível .
Exemplo 4 – Cabo de Guerra – Objetivo: Despertar a comunicação invisível entre os jogadores. É semelhante a brincadeira de cabo de guerra, só que a corda é invisível.


JOGOS SENSORIAIS
Os seguintes jogos fornecem base para o desenvolvimento de uma nova consciência sensorial. Eles ajudam os jogadores a reconhecer a memória física que está dentro deles e que pode ser solicitada intuitivamente.
Exemplo 5 – Vendo Através de Objetos – Objetivo: Entender a visão de uma nova forma. Os jogadores enviam seu olhar como se pudesse bater em um objeto e voltar.


JOGOS COMO PARTE DE UM TODO
Tornar-se parte de um todo, resulta em um processo de satisfação mútua. O esforço e a ruptura daí resultantes são compartilhados igualmente por todos, como parte de um todo. A conquista de um torna-se a conquista de todos.


Exemplo 6 – Parte de um Todo – Profissão – Objetivo: Definir uma personagem por meio de um comportamento característico. Grupos de cinco ou seis jogadores escolhem uma profissão e farão imitações relacionadas a ela até que a plateia adivinhe.


JOGOS DE ESPELHO
Os jogos de espelho unem os jogadores por meio do ato de ver. Eles exigem uma reflexão espontânea, não uma imitação. Ao refletir, age-se instintivamente, pois não há tempo para pensar a respeito do jogo.
Exemplo 7 – A Carrocinha Pegou – Formam-se duas rodas, a de fora gira para a direita e a de dentro para esquerda. Cada integrante da roda de dentro volta-se para um integrante da roda de fora e realizam movimentos espelhados. Repete-se a sequência.


ONDE, QUEM E O QUE.
Usar os termos onde, quem e o que, leva os jogadores a incluir o ambiente, o relacionamento e atividade à realidade cotidiana na sua consideração sobre os problemas teatrais.
A utilização dos jogos do “quem” durante a oficina de jogos teatrais vai abrir a visão dos jogadores para a observação mais clara do seu cotidiano. Ação de cena (o que) é a interação da personagem com outra e o cenário.
Exemplo 8– Batendo – Objetivo: Desenvolver a audição – Todos fecham os olhos enquanto um jogador bate três vezes em qualquer objeto da sala e se
afasta dele silenciosamente. Os jogadores devem nomear o objeto que foi tocado.


COMUNICAR ATRAVÉS DE PALAVRAS
A maioria dos jogos teatrais exige diálogo. Mas o medo da comunicação verbal é grande. Com o tempo os jogadores poderão aprender a confiar e as palavras que necessitam aparecerão.
Exemplo 9 – Caligrafia Cega – Objetivo: Adquirir nova familiaridade com uma palavra ou frase. O grupo fecha os olhos e escreve palavras ou frases sem olhar. A habilidade estará nos jogadores que deverão lê-las.


COMUNICANDO COM SONS
Esses jogos servem para estimular e refinar habilidades de comunicação. Efeitos de som, blablação, percussão e som estendido serão acrescidos aos instrumentos de comunicação dos jogadores.
Blablação é a substituição de palavras por sons. O significado de um som em blablação será compreendido somente quando o jogador se comunicar por ações, expressões ou tons de voz. Desenvolve a fluência por meio do discurso assimbólico, traz uma diminuição dos padrões das palavras o que pode ser difícil para alguns jogadores.
Exemplo 10 – Blablação – Vender – Objetivo: Sentir a dificuldade de persuadir a plateia. Um jogador em blablação tentará vender ou demonstrar algo à plateia.


JOGOS DE ESTÍMULO MÚLTIPLO
Embora a maioria dos jogos envolva a manipulação de vários estímulos, jogos específicos, intensificam a habilidade nessa área, exigindo que os alunos tornem-se receptivos e respondam a vários estímulos ao mesmo tempo.


Exemplo 11 – Quanto Você Lembra? Objetivo: Concentrar-se em duas ou mais atividade ao mesmo tempo. O leitor começa a ler silenciosamente uma leitura enquanto alguém relata algo. O leitor deve focar os dois assuntos ao mesmo tempo.


MARIONETES
Estes jogos são destinados a desenvolver maior uso dos pés, pernas e mãos.
Exemplo 12 – Exercícios com as Costas – Objetivo: Comunicar com o corpo todo. Um jogador deverá sentar de costas para a plateia e se comunicar com sentimento ou atitude apenas com as costas.


JOGANDO COM RÁDIO, TELEVISÃO E FILME
Esses exercícios focalizam as energias dentro das limitações de cada um deles,(a televisão utiliza a parte de cima dos corpos, o rádio a voz) e a importância de equipamentos de sons ,televisão e filmes.
Exemplo 13 – Tela de Sombras – Objetivo: Explorar a comunicação por gestos. Um grupo deverá trabalhar com teatro de sombras.


DESENVOLVENDO MATERIAL
Embora os jogos teatrais tenham grande valor na preparação de peças de teatro escritas, eles têm sido muito relacionados com a improvisação e com sugestões da plateia por exemplo.
Exemplo 14 – Sátiras e Canções – Objetivo: Favorecer a dramatização. Situações são escritas em papel colorido que serão rasgados em tiras e colocados em um chapéu. Os jogadores pegam os pedaços, procuram seus grupos e dramatizam suas estórias.


CONTAÇÃO DE ESTÓRIAS E TEATRO DE ESTÓRIAS
Contação de estórias e teatro de estórias são formas usadas na arte da representação e exigem grande concentração e cooperação. Os contadores de estórias começam a ler ou recitar e os jogadores dramatizam-nas. O teatro de estórias incorpora a narração do contador em cenas dramáticas. Os jogadores usam o movimento corporal e objetos no espaço para encenar a estória.


ATUANDO COM ENVOLVIMENTO DA PLATEIA
Faz parte do treinamento teatral, valorizar a plateia, pois ela deve ser envolvida no processo, compartilhando com os jogadores.


APRESENTAÇÃO PÚBLICA
Apresentações públicas, quando as crianças estiverem preparadas, elevarão seu nível de compreensão e desenvolverão suas habilidades, mas essa fase não deve acontecer de forma prematura, ela deve ser realizada paulatinamente. É preciso:
Desenvolver a peça escrita, estabelecer critérios para escolha das peças e estipular horários de ensaios: Primeiro Período de Ensaio (leitura de mesa, ensaios corridos, marcação de cenas, cenário), Segundo Período de Ensaio (ensaio relaxado, improvisações gerais, ensaios corridos, biografias das personagens), Terceiro Período de Ensaio (ensaio corrido especial), Apresentação.
A apresentação promove a fruição de todo o processo criativo, realizado ao preparar a peça.


APRIMORANDO A CRIANÇA ATUANTE
Ação Interior: o conceito que está por trás da ação interior pode ser exposto sem problemas para as crianças, mas é melhor não introduzi-lo até que elas tenham passado por várias improvisações e contação de estórias.
Exemplo 15 – Quadro de Cena – Objetivo: Reconhecer que qualquer parte de você é tudo de você. Os jogadores se movimentam pelo espaço cênico e deverão parar quando receberem instruções. Caso alguém não fique visível à plateia o comando é repetido. Os jogadores farão o possível para que todos tornem-se visíveis.


CONTATO
Contatos intensos entre os jogadores tornam a produção mais viva. As instruções dadas durante as oficinas devem ser dadas. O contato pode intensificar muitas cenas.


ELIMINANDO QUALIDADE DE AMADOR
Percebe-se quando os jovens são inexperientes quando eles têm medo do palco e da plateia, não sabe se portar ou onde colocar as mãos, recita sua falas rigidamente ou as esquece, fala em voz baixa ou não projeta emoções.
Nenhum desses jogos, deste livro, no entanto é destinado a eliminar problemas individuais, mas coletivos. Os jogos ajudarão a aflorar habilidades, técnicas e espontaneidade tão importantes no teatro.

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