OSTROWER, Fayga. Universos da arte. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

PARTE I – INTRODUÇÃO


Capítulo I – Encaminhamento didático
A obra trata-se de um relato e uma reflexão sobre uma experiência docente de arte de Fayga Ostrower a operários, onde a autora procurou mecanismos para a facilitação da aprendizagem dos mesmos. A autora buscou como metodologia para o curso a realização de uma série de palestras ilustradas e debates, onde o foco principal era a iniciação na linguagem visual e a apreciação da arte. A autora deveria ser clara e objetiva ao ministrar estas aulas, sempre com o propósito de divulgar a arte e promover a sua compreensão.


Capítulo II – Diálogo
Ao iniciar o curso, a autora primou por não haver indícios de superioridade nas relações entre ela e os operários. Ficavam reunidos por volta de duas horas conversando, discutindo, olhando-se, folheando livros ou vendo desenhos diversos, ou seja, refletindo sobre arte. O material usado nas aulas eram baratos e simples. O uso de reproduções desempenhava uma função pedagógica importante, pois era a forma dos alunos se familiarizarem com o universo da arte. A autora buscou o tempo todo um diálogo com a turma, sendo fundamental a participação de todos nas aulas externando dúvidas, anseios e opiniões.


PARTE II – ESPAÇO E EXPRESSÃO


Capítulo III – Movimento visual
O tema principal abordado foi o espaço e a relação forma-conteúdo. As noções de espacialidade têm fácil compreensão uma vez em que a perceba. O espaço está presente na medida em que traduzimos tudo o que queremos comunicar em imagens espaciais, ou seja, usamos intuitivamente imagens de espaço ao falarmos ou nos expressarmos.
Obras foram apresentadas aos alunos, com a intenção de que ao mostrar essas obras, a experiência do artista e seu posicionamento social eram ali desvendados. Foram selecionadas obras com conteúdos expressivos
diversos de Van Gogh e Leonardo Da Vinci. O grupo também realizou pequenos exercícios práticos. Na verdade estavam colocando em prática noções teóricas, refletindo posteriormente sobre o conteúdo das formas empregadas nos exercícios. A forma acaba incorporando o conteúdo e ambos fundem-se em uma única identidade.


Capítulo IV – Orientação e Direções Espaciais
Um contorno funciona como limite, e ao mesmo tempo que delimita forma um espaço interno, determinando uma forma. Ao vermos o limite da forma percebemos qual é a sua estrutura. Há relações entre o espaço externo, o interno e a superfície. As referências visuais da forma são seus limites.
Ao se indicar em uma obra de arte uma linha vertical ou horizontal, dá-se a ela uma direção vivenciada carregada de emoção, onde surge a ideia de repouso ou ação, linearidade ou mobilidade.


Capítulo V – Intuição – Análises e Sínteses
É a partir de uma mobilização interior do artista que surge a experiência artística, o fazer artístico. Esta paixão que move o artista não está presente apenas na realização de obras de arte e sim em todos os âmbitos da vida.

Análise: decomposição da imagem em seus diversos componentes e reconhecimento do seu conteúdo expressivo.

Síntese: atos de compreensão e de percepção, interiorização do conhecimento.
As ideias e noções surgem através de caminhos intuitivos, e esses caminhos não são inteiramente racionais e tampouco são irracionais. É um caminho típico do homem e a nossa percepção é um ato constante de intuição.
Ao intuir, o homem pode ser capaz de criar. A criação utiliza como guia a sensibilidade.


PARTE III – ELEMENTOS VISUAIS


Capítulo VI – Linha
A linha configura um espaço e uma dimensão, e através dela têm o espaço direcional. Seu movimento visual se dá no tempo e no espaço e existem possibilidades diversas de se modular o movimento da linha.
Trata-se de cada segmento linear que cria uma dimensão espacial. A linha possui intervalos, contrastes de direção e velocidade variada. As qualificações expressivas determinam que tipo de espaço a linha pode caracterizar. Podemos analisar o movimento visual das linhas verificando seus tempos expressivos articulados.


Capítulo VII – Superfície
As linhas ao delimitarem uma área definem um novo elemento visual, com propriedades e caráter espacial. Este novo elemento criado é a superfície. Duas dimensões na superfície são fundamentais: altura e largura (caráter bidimensional).


A superfície é um elemento de características mais estáticas que dinâmicas e sua movimentação se dará a outros fatores visuais na obra.


Capítulo VIII – Volume
As dimensões que determinam o volume são altura, largura e profundidade (caráter tridimensional). As qualidades espaciais do volume são: planos relacionados em diagonal, superposições ou sobreposições, profundidade e noção de cheio e vazio (densidade).
Linhas e superfícies fazem parte do volume, passando assim a desempenhar um novo papel na formação de um espaço tridimensional. A profundidade é essencial para a noção visual do volume. O volume é claramente percebido em obras Renascentistas e Barrocas, que se utilizam do ponto de fuga e linhas diagonais na sua composição (utilização pelo artista da perspectiva).


Capítulo IX – Luz
A luz é o contraste apresentado entre o claro e o escuro. O artista opta em colocar na sua imagem efeitos de iluminação que é a distribuição de manchas claras e escuras na obra. Este efeito de contraste, este jogo de claro-escuro dá maior destaque aos objetos representados e pode existir independentemente da incidência de um foco de luz.
O que permite a um observador a identificação da presença da luz em uma obra é o fato de a composição ter sido elaborada em contrastes de claro e escuro, graduando-se as intensidades destes contrastes. As ideias de contração e avanço, de retração e expansão podem ser fruto do uso da luz e seu jogo estabelecido pelo artista.


Capítulo X – Cor
A cor pode ser vista de uma forma e percebida de outra. Qualquer cor é excitante para os sentidos e provoca reações a quem a vê em uma obra. As cores isoladas não dizem tanto de suas relações.
Podemos diferenciar uma cor graduando vários tons em torno de uma cor dominante e estabelecer relações entre eles. Estas são as chamadas tonalidades. Além disso, podemos criar escalas de claro-escuro e escalas cromáticas (escala que vai de um tom saturado a acromáticos). O uso de diferentes tonalidades em uma obra permite dar a ela um ritmo e uma movimentação provocando entendimentos e sensações diversas ao observador.


PARTE IV – COMPOSIÇÃO


Capítulo XI – Semelhanças e contrastes
Os artistas através das semelhanças introduzem sequências rítmicas e através de contrates articulam tensões espaciais nas obras. Estas semelhanças e contrastes são perceptíveis do ponto de vista formal. Não podemos esquecer que a forma estabelecida em uma obra de arte se torna uma linguagem.
Em uma obra há variações e inversões formais. Um quadro pode nos oferecer a leitura de uma profundidade sobre o tema retratado, um peso visual e uma tensão interior. Um artista tem a capacidade de explicitar a vida em uma imagem e ao mesmo tempo nos faz refletir sobre ela.


Capítulo XII – Tensão espacial – ritmo
Em uma estrutura visual há variações de ritmo e de contraste. Através da apresentação de contrastes a tensão espacial é dominante nas relações formais. A tensão espacial une as várias partes de uma composição em uma totalidade expressiva.
A tensão passa a dar um conteúdo emocional à obra, um tom de dramaticidade expressiva. Em qualquer expressão é indispensável o mínimo de tensão espacial.


Capítulo XIII – Proporções
A proporção em uma obra de arte deve ser entendida mais do que apenas um fator estético. Ela deve ser entendida como um fator estrutural importante para a ordenação interior da forma e seu sentido expressivo.
Pode ser também definida como a justa relação das partes entre si e de cada parte com o todo, agindo como a medida das coisas. A proporção é o que
traz harmonia entre os elementos que compõem uma imagem e uma unidade na diversidade. Cada elemento é inter-relacionado e a definição de seu tamanho, distanciamento e alinhamento está dentro da proporcionalidade.


PARTE V – ESTILO
Capítulo XIV – Arte Pre-histórica
O estilo de uma obra corresponde à visão pessoal do artista ou à visão cultural de uma determinada sociedade de um determinado momento histórico. O estilo não é algo estagnado. Mudam-se as épocas e mudam-se os estilos.
A evolução do homem é importante ser observada, sobretudo o processo de desenvolvimento físico e psíquico. O homem foi buscando o aprimoramento corporal de acordo com as necessidades cotidianas. As mãos humanas na pré-história, por exemplo, adquiriram funções diversificadas que iam além do locomover e segurar. As mãos passaram a executar os pensamentos caracterizando todo o fazer humano.
Dentro deste “fazer” está a representação gráfica do pensamento e da memória. A partir daí surgem os desenhos rupestres, onde a pintura realizada em cavernas com pigmentos naturais nos dá dados importantes sobre os primórdios humanos. A temática mais recorrente destas obras são a representação da caça de animais de grande porte e representados de perfil. Estes desenhos representam as primeiras e mais antigas manifestações artísticas e são obras de qualidade relevante e que não são nada primárias. A expressão através dos desenhos mostra uma identidade social pre-histórica.


Capítulo XV – A deformação na arte – correntes estilísticas básicas: naturalismo, idealismo, expressionismo – tendências surrealistas e fantásticas
Qualquer forma criada por um artista resultará em um distanciamento da natureza e ao dar forma à imagem, o artista a deforma. É inevitável no fazer artístico a deformação ou distorção. Esta deformação é que dá características próprias à obra.

Naturalismo: os artistas descrevem fenômenos naturais em suas obras, principalmente a luminosidade, transmitindo emoções geradas após a observação. Trata-se de uma atitude objetiva e o artista tenta em suas obras uma transcrição exata dos efeitos de cor que o fenômeno natural produz, sem esquecer de suas particularidades, ex.: impressionismo.

Idealismo: nas obras de estilo idealista a orientação espacial passa a ser frequentemente estabelecida através de eixos centrais (ou zonas de energia centrais). Ao mesmo tempo em que as proporções são dinâmicas, apresentam traços estáticos, predomínio de semelhanças sobre contrastes e equilíbrio entre ritmos e tensões. São as obras consideradas clássicas, ex.: renascimento.

Expressionismo: trata-se de obras que mostram a intensificação das emoções indo além dos limites da ocorrência da naturalidade ou normalidade. As formas estruturais do espaço são caracterizadas por uma movimentação maior. Os contrastes prevalecem e encontramos fortes tensões espaciais.

Surrealismo: tratam-se das artes fantásticas, não representando uma corrente estilística e sim uma temática específica. Esta temática procura ilustrar a presença de aspectos imaginativos irracionais dentro da nossa realidade. Os artistas fazem ligações estranhas entre objetos familiares. A arte surrealista parte de componentes individuais realista e os recombina em contextos incoerentes deliberadamente.


Capítulo XVI – Arte contemporânea
O Dadaísmo é a arte da absurdidade, sendo a maioria das obras um protesto contra a guerra e contra a racionalidade desta cultura. Os artistas desenvolveram novas possibilidades formais e todo um vocabulário novo que veio a enriquecer a linguagem nos vários campos da arte, principalmente no
âmbito da arte contemporânea. A arte, a partir de então, se enveredou por caminhos abertos pela vertente dadaísta.


Na arte contemporânea há uma forte tendência da abstração da figura. Encontramos dentro da arte contemporânea a arte abstrata, a arte cinética, a arte aleatória, os happenings, a pop art, a arte minimalista e a arte ambiental.


ENCERRAMENTO
Ao término do curso, Fayga Ostrower pôde perceber o quanto seu trabalho foi significativo aos operários. Eles mostraram gostar da experiência vivida, das discussões e reflexões realizadas. A partir da arte puderam conhecer mais sobre a humanidade e sobre suas formas expressivas.

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