Smartfit se livra do peso de curto prazo com renegociação de dívida

A rede de academias Smartfit conseguiu renegociar com os credores para evitar ter de pagar antecipadamente as debêntures da quarta emissão, que totalizam 1,3 bilhão de reais, por estourar os limites de alavancagem previstos na operação. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, em assembleia de debenturistas. Com isso, os sócios não precisam aportar novos recursos no negócio, para aliviar a pressão gerada pela crise do coronavírus. Os acionistas estavam dispostos a colocar cerca de 500 milhões de reais apenas para dar um fôlego aos indicadores nesse momento — até o pior passar.

A companhia, assim como diversas outras ligadas a consumo, vai assistir sua linha de Ebitda minguar neste ano, devido ao isolamento social usado como estratégia contra a pandemia do coronavírus. Com isso, o indicador mais tradicional de controle da saúde financeira das empresas, que relaciona a dívida líquida ao Ebitda, vai explodir — não porque os compromissos aumentaram, mas porque a geração de caixa está momentaneamente suspensa.

Depois de captar mais de 1,15 bilhão de reais no ano passado, a Smartfit terminou março com 1,35 bilhão de reais em caixa e vencimentos previstos para o ano de apenas 209 milhões de reais. Até o fim do trimestre, estava tudo muito bem: a relação da dívida líquida sobre o Ebitda acumulado em 12 meses fechou em 1,94 e o teto estabelecido na emissão era de 3. Mas o problema está justamente na vida pós-março, depois que o mundo se trancou.

Pela dispensa de cumprir o limite financeiro, a Smartfit ofereceu pagar uma espécie de multa — a taxa do perdão que o mercado chama de ‘waiver fee’ — de 1% sobre o saldo da emissão, ou quase metade do CDI, neste momento. A proposta também incluía um limite novo, de 6,75, para o indicador de alavancagem, para medição no fim deste ano e primeiro trimestre do ano que vem.

Sobre o futuro de médio prazo dos negócios que dependem de inteiração social, ainda pouco se sabe. No longo prazo, a aposta está na “normalidade” ou “nova normalidade” após o desenvolvimento de uma vacina. O modelo de baixo custo e unidades preponderamente próprias desenvolvido pelo fundador Edgar Corona, atualmente alvo do inquérito das ‘fake news’ comandado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atraiu diversos fundos de grife e aportes bilionários ao longo dos últimos anos. Atualmente, a gestora de recursos Pátria Investimentos é a controladora da empresa, com 73% das ações ordinárias e 51% do capital total. A fatia gerida pela casa inclui recursos de outros fundos.

 

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