LOMAKINE, L. Fazer, conhecer, interpretar e apreciar: a dança no contexto da escola. In: SCARPATO, M (Org.). Educação Física: como p lanejar as aulas na educação básica. São Paulo: Avercamp, 2007, p. 39 57.

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.(F REIRE, 1996)

1. Introdução

Os Parâmetros Curriculares Nacionais, em conformidade com a LDB, inclui a dança no currículo como conteúdo da Educação Física. Mas isso não garante que no contexto escolar a dança seja trabalhada. Geralmente a dança na escola não está vinculada ao processo de ensino-aprendizagem, bem como da compreensão do corpo como construção cultural. A dança é vista como divertimento nos horários de intervalo ou como elemento lúdico ou decorativo nas comemorações escolares, para as quais o aluno memoriza certos passos da dança e não aprende a dançar. Esta situação se deve, principalmente ao despreparo do profissional de Educação Física sobre a dança e as possibilidades de explorá-la de forma condizente em sala de aula. A autora mostra, nesse artigo, algumas possibilidades de trabalhar dança na escola, mesmo que o professor não seja um profissional da dança

2. Sobre a Dança

A dança pertence a área de arte, definida como ―criação de formas simbólicas de sentimento humano‖ (Langer), concretizada por meio de movimentos criados e executados pelo corpo humano, considerado o grande canal de expressão dos sentimentos. A dança é considerada a mais antiga das artes, não necessitando de instrumentos ou ferramentas adicionais para sua expressão. Paralelamente à dança, encontram-se as variadas expressões da realidade vivida por meio do corpo, por meio de jogos, lutas, atividades físicas, entre outras.


A dança é compreendida por Lomakine como cultura corporal de movimento e integra o currículo da disciplina Educação Física, sem perder, entretanto, sua especificidade e identidade. Os objetivos da dança no currículo de Educação Física são diferentes de sua prática social em geral. A Educação Física deve ser entendida como um campo de conhecimento científico e, na escola, enfatiza a construção de conhecimentos sobre o corpo em movimento enquanto prática pedagógica, portanto, orientada aos objetivos educacionais. A dança, por sua vez, também constitui um campo de conhecimento científico, porém com a finalidade de uma performance técnica e artística. Inserida no currículo escolar, a dança contribui para o desenvolvimento motor perceptivo-cognitivo e socioafetivo dos educandos. A dança estimula a estética, a sensibilidade, a criatividade, a sociabilidade e a comunicação. Rudolf Laban, em 1948, propôs a ―dança livre‖ na escola, como meio para educar os alunos e não direcionada à performance técnica. No Brasil, na década de 1980, Edson Claro propôs o Método Dança-Educação Física, uma abordagem interdisciplinar mesclando técnicas tradicionais e modernas, ocidentais e orientais, com ênfase na educação corporal.


Patrícia Stokoe (1980) define a dança como ―uma das linguagens artísticas não verbais, patrimônio de todos os seres humanos, na qual se manifestam a visão subjetiva sensível, estética e emocional de si mesmo, da sociedade e do mundo em que estão inseridos, utilizando como fonte e instrumento de expressão e comunicação seu próprio corpo, segundo as possibilidades deste‖. A dança não se resume a uma ―sequência de movimentos corporais ritmados‖, pois a ginástica também pode ser definida desse modo. A dança é definida como um movimento de conflito entre 2 tipos de musculatura, agônica e antagônica, que, por meio da tensão, geram o movimento. Dança é movimento.


A dança é uma manifestação cultural presente em diversas áreas do saber/fazer humano, voltada tanto para a expressão artística de modo geral (cultura popular, arte, etc.) quanto para objetivos específicos (educação, reabilitação em saúde, terapias, esporte, etc.).


Objetivos e funções da dança A autora destaca os seguintes objetivos da dança: – promover o desenvolvimento e a manutenção de capacidades físicas, como agilidade, coordenação, equilíbrio, flexibilidade, torça, resistência e ritmo; – promover o desenvolvimento positivo do aspecto socioafetivo do ser humano, despertando potencialidades como cooperação, sociabilização, solidariedade, liderança, compreensão, laços de amizade; – estimular o desenvolvimento do aspecto cognitivo das pessoas por meio de estímulos ao raciocínio, à atenção, à concentração, à criatividade, ao senso estético, à percepção;

melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, buscando energia, harmonia, equilíbrio, estímulos positivos, autoestima e autonomia; – desenvolver a consciência corporal; – promover o desenvolvimento da educação rítmica; < – estimular a autoexpressão; L proporcionar a relação intrapessoal de maneira positiva;

experimentar e observar diferentes percepções e sensações em relação a si, aos outros e ao mundo.
São funções da dança: – promover a comunicação; – facilitar a autoexpressão; – contribuir para a identificação cultural; – proporcionar diversão, descontração e prazer estético; – atender às necessidades de espiritualidade (êxtase místico); – atuar em profundas questões sociais, como a ruptura do sistema e a revitalização da sociedade.

3. O Ensino da Dança na Escola Quando se trata da escola, podem ser elencados os seguintes objetivos da dança:

– desenvolver a imaginação, a comunicação não verbal, o pensamento crítico, a autoconfiança, a cooperação e a criatividade;

– aprimorar o desenvolvimento motor, a consciência corporal e a percepção musical;

– integrar-se a outras áreas do currículo escolar;

explorando o movimento dançante; – estabelecer conexões dentro de contextos históricos, sociais e culturais.


A dança, portanto, é um a forma de expressão do corpo que o aluno vivencia, diferente da linguagem verbal ou escrita, mas que permite: autoconhecimento, interação com o outro, comunicação, alívio das tensões do cotidiano na escola. Para que a dança produza tais impactos, faz-se necessário encarar o corpo como sujeito e não objeto da ação pedagógica. Não basta decorar e ensaiar movimentos e repetindo-os de forma mecânica e alienada. A dança só contribuirá com a formação integral do aluno caso permita aos alunos o conhecimento do próprio corpo, de seus potenciais e limites, compreendendo ―as relações que são estabelecidas entre fazer, conhecer, interpretar e apreciar dança‖.


3.1 O Fazer Dança.

A dança não se restringe a movimentos, mas constitui-se um momento privilegiado de aprendizado de um acervo de movimentos. Isto não significa que o aluno deve aprender técnicas ou estilos de dança, mas se posicionar com seu próprio ser, ampliando cada vez mais seu repertório de movimentos, utilizando-os conscientemente. No fazer dança, é trabalhada a consciência corporal e seus elementos básicos: tempo, espaço, energia ou força.

3.2 O Conhecer Dança.

Enquanto campo de conhecimento, a dança compreende conceitos, atitudes, habilidades e competências. O aluno deve conhecer a origem e a história da dança, suas técnicas, bem como compreender as competências e habilidades envolvidas com os processos da dança, desde a composição coreográfica até sua estética.

3.3 O Interpretar dança.

O ensino-aprendizagem em dança deve ser próximo da realidade sociocultural do aluno, levando em conta suas experiências próprias em relação ao corpo, à sociedade e à cultura em que vive. O interpretar a dança envolve uma dimensão que vai da percepção do corpo à expressão de seus valores e sentimentos mais íntimos para poder, a partir de sua realidade, alcançar a interpretação do repertório universal acumulado pela humanidade.


3.4 O Apreciar Dança .

Refere-se à fruição estética, permitindo ao aluno não apenas compreender os elementos e significados da dança, mas tornar-se um apreciador e criador e não um crítico de dança. 4. Planejando as Aulas de Dança A preparação das aulas de dança deverá considerar conteúdos específicos e os distintos níveis de ensino (Educação Infantil; Ensino Fundamental l: 1ª à 4ª série); Ensino Fundamental II: 5ª à 9ª série); Ensino Médio (1a à 3ª série).

A elaboração dos planos de aula deve estar centrada no aluno, que é o elemento mais importante do processo ensino-aprendizagem, com atenção às seguintes questões:

1) perfil, desenvolvimento motor, socioafetivo e perceptivo-cognitivo em cada faixa etária.

2) explicitar os objetivos a atingir e os conteúdos selecionados, para um bom desempenho da atividade pedagógica. Tais conteúdos podem ser trabalhados de forma isolada (por exemplo, conteúdos básicos da dança) ou conjunta (danças folclóricas e danças de rua), desde que considere o contexto sociocultural dos alunos e seu nível de desenvolvimento educacional.

A repetição é pedagógica, no intuito de compreender com mais profundidade as situações de aprendizagem propostas e atingir, de modo efetivo, os objetivos pretendidos na relação de ensino-aprendizagem.

Embora o aluno seja o centro do processo, o professor é o ator fundamental para o desempenho do aluno, se colocando ao lado deste, assumindo papel de facilitador das atividades pedagógicas, ao criar um clima favorável à aprendizagem, combinando as tarefas cognitivas com o caráter
lúdico, estimulando a criatividade e a expressividade dos alunos por meio da dança. O aluno, centro do processo, deve tornar-se sujeito ativo do processo e assumir certas responsabilidades diante de regras de utilização de espaço, de interação com os demais alunos, uso de roupas e figurinos adequados à atividade de dança, de modo que tenha mobilidade e flexibilidade. A criação supõe experimentação, vivência, conhecimento, engajamento nas atividades e, até mesmo, a reprodução para se chegar a criar e a improvisar e inovar.


4.1 Conteúdos de Dança

A autora destaca 4 grupos principais de conteúdos, os quais o professor seleciona em função dos objetivos, nível de ensino, de desenvolvimento contexto sociocultural e de seus alunos: fazer, conhecer, interpretar e apreciar.

4.1.1 Grupo I – Fazer Dança 4.1.1.1 Elementos Básicos da Dança


O professor pode explorar todas as possibilidades de movimentos correlatos aos elementos básicos da dança: A) corpo; B) espaço; C) força e D) tempo

A) Corpo.

Movimento de todas as partes do corpo, separadamente e em conjunto, como pré-requisito para o trabalho com outro conteúdo da dança: a consciência corporal.

Elementos básicos da dança:

corpo
Partes do Corpo Internas: músculos, ossos, articulações, coração, pulmões e diafragma.

Externas: cabeça, olhos, queixo, boca, pescoço, parte superior do tronco, costas, costelas, ombros e braços, Antebraços, cúbitos, punhos, mãos, metacarpos, abdômen, quadril, pernas, joelhos, tornozelos, pés e artelhos.

Movimentos do corpo Estender, flexionar, circunduzir, rotar, curvar; torcer; rolar, elevar, cair, girar, balançar, sacudir, suspender, flutuar, pontuar, pressionar, chicotear; socar, aduzir, abduzir, inclinar e ainda fazer retroversão, anteversão, pronação e supinação.

Deslocamentos
Andar, correr, saltar, galopar, deslizar e saltitar. B) Espaço Tabela 2: Elementos básicos da dança: espaço

Forma
Desenhos do corpo no espaço.

Nível
Alto, médio e baixo.

Direção
Frente, trás, lado direito e lado esquerdo.

Tamanho
Grande e pequeno.

Lugar
Parado e em deslocamento.

Foco
Direções do olhar.

Trajetória
Reto, curvo e ziguezague. C) Força (peso ou energia) Tabela 3: Elementos básicos da dança: força

Peso
Leve (suave ou fraco), pesado (firme ou forte).
Fluência
Livre e controlada.


D) Tempo As aulas de dança podem combinar estímulos sonoros com o silêncio, bem como explorar diversos ritmos, tanto de instrumentos quanto do próprio corpo (respiração, pulsação e percussão corporal).

Elementos básicos da dança:

tempo
Métrica
Pulso.


Ritmo
Rápido ou lento.


Acento
Forte ou fraco.


Duração
Longa ou curta.

4,1.1.2 Habilidades Motoras de Técnicas Codificadas Constituem a base da aprendizagem da dança na escola, permitindo uma vivência prática que abrirá a percepção e aumentará o acervo motor dos alunos para a criação, a interpretação e a improvisação. O aluno passa a aprender sistematicamente princípios, modelos e técnicas de movimento.

– equilíbrios (eleves);

– chutes (grand battements);

– deslocamento (chassé);

– grande salto (grand jeté);

– giros (tours e pirouéttes);

– contrações e expansões (contraction e release);

quedas e recuperações (fall e recovery).

4.1,1.3 Consciência corporal O objetivo é que o aluno tenha consciência do potencial do corpo em relação aos movimentos e, dentre estes, a dança, com o domínio e a coordenação de suas bases biomecânicas e da nomenclatura correspondente.

– corpo em movimento e imobilidade;

– uso simétrico e assimétrico do corpo;

– ênfase em partes do corpo;

– liderando o movimento com partes específicas do corpo;

transferência do peso e gestual;

– relações entre partes do corpo;

– gestos, passos, locomoção, saltar; virar.

4.1.1.4 Objetivos gerais relacionados aos conteúdos do Grupo I

– Proporcionar a descoberta do próprio corpo e de suas possibilidades de movimento.

– Promover o desenvolvimento e a manutenção de capacidades físicas, como agilidade, coordenação, equilíbrio, flexibilidade, força, resistência e ritmo.

– Promover o desenvolvimento positivo do aspecto socioafetivo do ser humano, despertando potencialidades, como cooperação, sociabilização, solidariedade, liderança, compreensão, laços de amizade.

– Estimular o desenvolvimento do aspecto cognitivo das pessoas por meio de estímulos ao raciocínio, à atenção, à concentração, à criatividade, ao senso estético e à percepção.

– Desenvolver a consciência de espaço e tempo.

– Estimular a autoexpressão.

– Experimentar e observar diferentes percepções e sensações em relação a si, aos outros e ao mundo.

– Vivenciar diferentes formas e qualidades de movimentos.

4.1.1.5 Critérios de Avaliação dos conteúdos do Grupo l

– Saber movimentar-se com consciência, com segurança, de maneira clara, com qualidade e desenvoltura, de acordo com suas possibilidades corporais e de movimento, demonstrando compreender a estrutura e o funcionamento do corpo e os elementos que compõem seu movimento.

– Conhecer as diversas possibilidades de uso do espaço, das dinâmicas de tempo e de diferentes graus da força ou peso e de que maneira articular esses conhecimentos.

– Demonstrar compreensão das habilidades motoras específicas da dança codifi- cada por meio de sua execução.

4.1.1.6 Conclusão – Grupo I

Os conteúdos do grupo “fazer dança” favorecem o desenvolvimento motor, perceptivo-cognitivo e socioafetivo dos alunos, por meio de vivências, estimulando a interatividade, combinando a reprodução com a criação, interpretação e improvisação. Para as séries iniciais as atividades não
devem exigir técnica e performance. Haverá momentos de cópia e reprodução e momentos de investigação, criação e improvisação. Outro ponto de interesse recai na sensibilização, que é a (re)ativação dos órgãos sensoriais, estimulando portanto, a propriocepção, capacitando o aluno a detectar tensões desnecessárias, informando sobre sua postura, seu equilíbrio e seus deslocamentos pelo espaço. A propriocepção está relacionada à cognição/percepção.

4.1.2 Grupo II – Conhecer Dança Envolve o conhecimento histórico, técnicos e de estilos, permitindo ao aluno desenvolver as habilidades cognitivas e estabelecer relações entre diferentes dimensões sociais e culturais da dança.

4.1.2.1 História da dança Aborda a dança nas diferentes épocas e contextos culturais, dividida em 4 períodos:

– Dança primitiva: tem início no período paleolítico (30.000 ou 25.000 a.C. até 10.000 a.C.) e finaliza com as civilizações da Antiguidade (por volta do ano 476).

– Dança clássica: período do surgimento do bale clássico, entre os séculos XVI e XVIII. – Dança moderna: tem lugar nos séculos XIX e XX.

– Dança contemporânea: trata-se de sua história atual, cujo início se dá no século XX. A história da dança pode ser trabalhada por meio de várias técnicas: pesquisa bibliográfica, documental, vídeo, excursões, espetáculos, entre outras.

Os conteúdos pesquisados podem ser debatidos em seminários, mas também podem ser teatralizados e/ou coreografados, sempre relacionando ao contexto histórico e o ideal de corpo e práticas de dança correspondentes a determinado período histórico e sociedade.

4.1,2.2 Dimensões Sociais e Culturais da Dança Envolve o desenvolvimento, no aluno, da valorização da cultura popular e suas manifestações, constituindo uma fonte importante para aprendizagem e para a formação da identidade de nação brasileira. Algumas sugestões de atividades:

– danças folclóricas brasileiras;

– danças populares brasileiras.

– danças folclóricas internacionais;

– danças circulares;

– dança de rua;

– danças de salão.

4.1.2.3 Objetivos gerais relacionados aos conteúdos do Grupo II

– Reconhecer e distinguir as diversas modalidades de movimento e suas combinações, como são apresentadas nos vários estilos de dança.

– Identificar e reconhecer a dança e suas concepções estéticas nas diversas culturas, considerando as criações regionais, nacionais e internacionais.

– Compreender a produção em dança em diferentes períodos como manifestação autêntica e representativa de determinada cultura.

– Situar os movimentos artísticos no tempo e no espaço para que se estabeleçam relações entre a história da dança e os processos criativos pessoais de maneira crítica e transformadora.

4.1.2.4 Critérios de avaliação dos conteúdos do grupo II

– Conhecer as principais correntes históricas da dança e as manifestações culturais populares.

– Demonstrar compreensão das relações estabelecidas entre a dança e a diversidade cultural de seu contexto (do aluno) e suas conexões com outras culturas.

– Ter a capacidade de relacionar a variedade de concepções da dança com padrões estéticos de grupos e épocas e reconhecer diferentes ideais de corpo, de dança, de identidades sociais e de sociedade.

4.1.2.5 Conclusão – Grupo II Os conteúdos desse grupo devem considerar as características de cada nível de ensino:


Nível de Ensino


Sugestões
Educação Infantil e Ensino Fundamental I
1) rodas e brinquedos cantados da cultura popular brasileira.
2) coreografias do folclore nacional e internacional, em grupos ou duplas, para sociabilização e relações interpessoais.
3) ênfase na reprodução e não na criação.


Ensino Fundamental II e Ensino Médio
1) pesquisas teóricas sobre história da dança, que base para a composição coreográfica.
2) danças folclóricas nacionais ou internacionais, circulares, populares, de salão e de rua, para prática na escola e fora dela.
3) pesquisa de movimentos em relação a estes conteúdos para criação individual ou em grupos, de sequências de
movimento
4) intercâmbio entre os grupos para educação cooperativa e apresentações públicas. 4.1.3 Grupos III e IV – Interpretar e apreciar Dança Os grupos I e II “fazer e conhecer dança” tem por finalidade instrumentalizar os alunos para as diferentes formas de danças, vinculadas a vivências sociais, permitindo uma visão histórica e o desenvolvimento da percepção e de outros processos cognitivos. Nos grupos III e IV “interpretar e apreciar dança”, os alunos são estimulados a julgar, opinar e criar sobre Dança.

4.1.3.1 Composição Coreográfica O aluno passa a criar sequências de movimento, a partir das vivências e pesquisas sobre o corpo e o movimento, de forma individual ou grupal, com ou sem suportes sonoros ou rítmicos, chegando, por meio da composição coreográfica, à criação, interpretação e improvisação.

Algumas sugestões:


Estímulos
Técnicas
Improvisação
instruções diretas, descobertas orientadas, jogos de movimento, narrativas de histórias.


Sonoros
composição coreográfica pode partir de uma música ou a partir do silêncio, evitando estereótipos de danças.


Literários
a partir de textos, tais como notícias de jornal, poesia, história, literatura, música, etc.


Visuais
Elementos fotográficos ou iconográficos que podem servir como temas geradores da composição coreográfica

4.1.3.2 Objetivos Gerais Relacionados aos Conteúdos dos Grupos III e IV

– Perceber as relações entre os vários estímulos utilizados na composição coreográfica e seus diversos significados (pessoais, culturais e sociais), articulados e apresentados na obra criada.

– Construir uma relação pautada no respeito mútuo, diálogo, solidariedade, responsabilidade, dignidade e justiça, valorizando as diversas escolhas e possibilidades individuais e grupais de criar e interpretar dança.

– Articular as experiências pessoais dos alunos com as informações de outras produções em dança (locais, nacionais e internacionais) nos aspectos da criação, interpretação e apreciação em dança.

– Compreender as relações que são estabelecidas entre corpo, dança, cultura e sociedade. 4.1.3.3 Critérios de Avaliação dos Conteúdos dos Grupos III e IV

– Conhecer as mais variadas possibilidades dos processos criativos em dança e suas relações com a sociedade.

– Integrar os elementos que constituem o processo de criação de uma dança (movimentos, música, cenário, espaço cênico, figurino), relacionando-os entre si, com a cultura e com a sociedade.

– Saber expressar com convicção, objetividade e critério suas impressões e seus julgamentos a respeito das danças que cria, das danças que os colegas criam e das danças a que assiste.

4.1.3.4 Conclusão – Grupos III e IV Mais indicados para o Ensino Fundamental e Médio, com estes conteúdos pode-se desenvolver as capacidades motoras, perceptivo-cognitivas e socioafetivas dos alunos. Valores humanos também são vivenciados, na medida em que quase todo o tempo as atividades acontecem em duplas, pequenos grupos ou um único grupo com toda a turma.

―Ideias diferentes das suas surgirão, e isso se torna uma grande oportunidade para você aprender a ouvir e respeitar as opiniões e críticas dos outros, exercitando a democracia, em detrimento da autocracia‖. 5 Considerações Finais

―É fundamental que a proposta metodológica e os conteúdos da dança na escola permitam aos alunos dançar, apreciar e contextualizar dança. Nas aulas de dança, cabe ao professor (re)significar o processo de ensino e aprendizagem, exercendo o papel de facilitador da construção do conhecimento, sendo seus alunos participantes ativos e interativos desse processo. Nesse contexto, é possível que os alunos tornem-se cidadãos conscientes e construtores de seu próprio tempo.‖ (p. 56)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *