Indústria de shows no Brasil recorre a drive-in para retomada

A imagem da cantora alemã Doro Pesch se apresentando em um drive-in repleto de carros, na Alemanha, viralizou na internet em meio à pandemia da Covid-19. O show, ocorrido no dia 13 de junho na cidade de Worms, foi o primeiro de heavy metal realizado neste formato, e a artista já tem outra apresentação, marcada para o dia 28, na cidade Bottrop, nos mesmos moldes.

Criado em 1932, nos Estados Unidos, o cinema drive-in virou febre entre os norte-americanos, principalmente na década de 1950, e tem retornado agora como opção de entretenimento, no contexto do novo coronavírus, inclusive aqui no país, com algumas sessões em andamento. E a indústria musical, visualizando uma oportunidade para recuperar o mercado de shows, diante da pandemia mundial, vem possibilitando esta realidade em muitos lugares do mundo. O Brasil está na rota.

O Allianz Parque, a arena esportiva do time de futebol Palmeiras, em São Paulo, inaugura nesta quarta (24) o projeto Arena Sessions, que também receberá carros no gramado para programação de filmes, games, talks, stand-up, conteúdos especiais para crianças, além de shows, do dia 24 junho até o dia 19 de julho. A primeira apresentação musical da nova empreitada, acontece no próximo sábado (27), com a banda Jota Quest, e os ingressos saem por 450 reais por carro, com o limite de quatro pessoas por veículo. Shows de Marcelo D2, Anavitória, Manu Gavassi e Turma do Pagode, também estão programados para os demais dias de evento.

Em nota, o diretor de marketing do Allianz Parque, e um dos idealizadores do Arena Sessions, Marcio Flores, afirma que o evento estava sendo planejado há dois meses e revela inovações na estrutura: “Posso garantir que o público do Arena Sessions terá uma experiência inesquecível. Além dos conteúdos, que são todos incríveis e inéditos nesse formato, o nosso grande diferencial será a estrutura. Por exemplo o som: mais de 400 caixas serão distribuídas ao lado de cada carro, o que garantirá uma experiência digna dos cinemas e grandes eventos que fazemos no Allianz Parque”.

Antes, no dia 23 de junho, o cantor, compositor e carioca, Ivo Meirelles, fez um show na Arena Estaiada Drive-In, também em São Paulo, trazendo no repertório samba-rock, pagode, soul e, como diz o próprio, o sertasamba, a fusão dos estilos samba e sertanejo. Em entrevista a EXAME, o músico revelou que o evento utilizou-se da tecnologia para atender todas as normas de saúde e segurança: “O público esteve o tempo todo dentro do carro. Para ir ao banheiro, a fila era no aplicativo e com hora marcada. E quem quisesse pedir algo para beber ou comer, era só encostar o telefone no QR Code que estava à sua esquerda, do lado do motorista. Tudo muito prático e dinâmico”, afirma o músico.

Todas essas adaptações são necessárias em razão do surto viral e surgem como a principal saída para reaquecer a indústria de shows no país. Segundo levantamento do Data Sim, em abril de 2020, desde que foi decretada a quarentena em alguns estados do Brasil, para evitar o avanço da doença, o mercado de shows e eventos teve um prejuízo de mais 480 milhões de reais. Importante ressaltar que a realização de eventos culturais no país, principalmente festivais musicais, representam 13% do PIB e movimentam cerca de 936 bilhões de reais na economia. Festivais como o Rock In Rio, movimenta 30 mil empregos diretos.

O cancelamento de shows e eventos musicais atingem artistas, produtores e promotores de eventos. Entretanto, outra classe afetada com a ausência de apresentações musicais é a dos compositores. Segundo o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), entre os meses de março e maio de 2019 registraram-se cerca de 6 mil shows no país, gerando uma arrecadação de 11 milhões de reais mensais em direitos autorais. Porém, em 2020 a realidade é outra. Em nota, o Ecad informa que “assim como os demais setores econômicos do país, a indústria da música brasileira vive uma situação difícil e o impacto da pandemia do coronavírus já está gerando um grande prejuízo para toda a cadeia produtiva da música. A arrecadação está sendo gravemente comprometida em razão das necessárias medidas restritivas que afetam todo o país”.

Com a pandemia ainda em curso, a organização disse que não há como quantificar o prejuízo exato que afetará artistas, compositores, intérpretes, editores, gravadoras e produtores fonográficos, mas que fez um estudo que revela grande queda na arrecadação: “No mês de março, o Ecad fez uma previsão de queda na arrecadação de aproximadamente 140 milhões de reais em direitos autorais por execução pública de música entre os meses de março e julho deste ano, caso se mantivesse a suspensão de eventos e shows, a paralisação de atividades culturais e o fechamento de estabelecimentos comerciais como cinemas, academias e lojas”. Na mesma nota, a empresa prevê uma queda de 340 milhões de reais na arrecadação anual: “Para o ano de 2020, antes da pandemia do coronavírus, o Ecad esperava uma arrecadação total de 1.170 bilhão de reais, mas, diante do quadro atual, o valor referente a todo o ano pode girar em torno de 840 milhões de reais”.

O cantor Ivo Meirelles enxerga os concertos drive-in como uma forma de resgatar o mercado de shows e recuperar o emprego da classe artística. Não é à toa que ele investiu recursos próprios, e também de doações de amigos, para realizar a sua apresentação neste novo formato: “Eu investi exatamente 43.250 de reais. Isso inclui passagem aérea, produtora, hospedagem, diária de almoço, o cachê dos músicos, o som, a iluminação e tudo mais. Mas não se trata de gasto, é um investimento. Eu preciso mostrar que tenho condições de realizar esse tipo de show, para a empresa que quiser me contratar depois”.

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