Ibovespa perde os 95 mil com aumento de casos de covid-19 nos EUA e Europa

A bolsa brasileira abriu em queda, nesta quarta-feira, 24, com temores de uma segunda onda de coronavírus, após aumento do número de casos na Europa. Os investidores também repercutem negativamente a possibilidade de os Estados Unidos colocarem novas tarifas sobre importações de produtos europeus. Por volta das 16h05, o Ibovespa, principal índice de ações, caía 1,69% e marcava 94.348,50 pontos.

O Ibovespa acompanha o mercado externo. No início da tarde, a Dow caía 2,52%, o S&P, 2,50% e o Nasdaq, 2,16%.

Na Alemanha, um novo surto da doença em uma planta de processamento de carnes, fez com que regiões do países retomassem o lockdown. O teme que o aumento de casos faça com que medidas de isolamento sejam retomadas, desacelerando a recuperação econômica.

“A aceleração de casos na preocupa, porque o mercado já via as aberturas econômicas como sustentáveis na Europa. Há um medo generalizado de que isso possa ocorrer em outros lugares”, disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Nos Estados Unidos, que iniciaram processos de reabertura sem que alguns estados tivessem atingido o pico da pandemia, o ritmo de infecções também tem se acelerado. Na terça-feira, o país teve mais 34.700 infectados confirmados, o terceiro maior número diário desde o início da pandemia, de acordo com a AP. Essa foi a maior quantidade em dois meses.

Devido à pandemia, o PIB mundial deve encolher 4,9% neste ano, de acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil deve sofrer ainda mais, com contração de 9,1%. A estimativa para o PIB brasileiro é a mesma prevista pela OCDE, em caso de uma segunda onda de coronavírus.

“O FMI botou para baixo a expectativa de recuperação econômica mais forte no segundo semestre. Vai demorar até que o Brasil retome o nível de antes da pandemia, talvez fique para depois de 2022”, disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

O mercado também repercute negativamente a notícia da Bloomberg que afirma que os Estados Unidos pretendem impor tarifas de 3,1 bilhões de dólares sobre produtos de países europeus, como França, Alemanha, Espanha e Reino Unidos. Entre os itens que podem passar por aumento de tarifas estão azeitonas, cervejas, gin e até caminhões.

“Toda vez que há tensão comercial entre potências globais se eleva o receio sobre o crescimento global, ainda mais neste ano, que se espera um crescimento bem reduzido”, disse Esteter.

Para Marcel Zambello, analista da Necton Investimentos, a medida pode ter mais cunho político do que econômico. “Esse protecionismo de Trump contra o livre mercado tem um viés mais eleitoral, tendo em vista que ele já está perdendo para os democratas nas prévias. A economia e o nível de emprego é o que deve definir as eleições americanas”, comentou.

No cenário interno, as atenções dos investidores estão voltadas para o Senado, que deve votar o novo marco do saneamento básico, que pode abrir espaço para investimentos no Brasil e para privatizações no setor.

Destaques

Na bolsa, o destaque do dia fica com as ações da Cielo, que recuam mais de 11%, após a decisão do Banco Central e do Cade de suspender pagamentos por meio do aplicativo de conversas Whatsapp. Na semana passada, os papéis da companhia chegaram a disparar mais de 30%, após a parceria com o Facebook para possibilitar esse tipo de serviço.

Ações que poderiam ser beneficiadas pela reabertura das economias, como as companhias aéreas e empresas de educação, também figuram entre as maiores baixas do dia. Por outro lado, as ações da B2W e Magazine Luiza, associadas ao comércio digital, que teve forte cresciemtno em meio à pandemia, sobem, apesar do clima negativo no mercado.

Papéis de empresas com parte significativa de suas receitas em dólar, como Suzano, Weg e Klabin, também, com a valorização da moeda americana.

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