Com nova carteira digital, OLX fica mais parecida com o Mercado Livre

A OLX está se preparando para reformular sua plataforma de e-commerce. A companhia vai lançar uma carteira digital e pretende facilitar o envio das mercadorias negociadas no serviço de compra e venda de itens usados. Semelhante ao serviço de pagamentos Mercado Pago, utilizado no rival Mercado Livre, a novidade é chamada e OLX Pay e deve ser incorporada no início de julho.

Fornecer mais opções de meios de pagamento era uma das promessas da OLX para 2020. Devido a crise do novo coronavírus, que aumentou o tráfego do e-commerce em 30%, a empresa precisou reformular seu plano de lançamento. A ideia inicial era disponibilizar o recurso regionalmente. A estratégia adotada foi realizar testes no interior de São Paulo e, a partir de julho, lançar o serviço em escala nacional.

O desenvolvimento técnico foi feito em parceria com a Matera, empresa de tecnologia especializada em serviços voltados para o mercado financeiro e que precisou incorporar à OLX uma infraestrutura de bank as a service, transformando o site usado apenas para anunciar produtos em uma plataforma completa de e-commerce. A Mastercard, por sua vez, é parceria exclusiva da OLX para a realização de pagamentos com cartão de débito.

“Estamos democratizando os canais bancários para a população brasileira”, diz Joel Rennó Jr., diretor financeiro da OLX Brasil, com exclusividade para a EXAME. Segundo o executivo, a carteira digital da OLX permitirá que pessoas sem acesso a serviços bancários ou cartões de crédito possam ter mais facilidade para realizar pagamentos digitais. Um exemplo será com o pagamento de boletos bancários em casas lotéricas, por exemplo.

A OLX Pay será ofertada gratuitamente para os compradores da plataforma. Os vendedores terão que pagar uma taxa de administração da plataforma, algo comum neste tipo de iniciativa. Os valores ainda não foram revelados. O uso da plataforma para as vendas não será obrigatório, mas garantirá benefícios especiais para os vendedores, como selos especiais que podem auxiliar nas vendas.

Com a carteira digital, a empresa passa a atuar como uma instituição de pagamentos. “Podemos oferecer qualquer serviço financeiro, exceto empréstimos”, diz o executivo. Ele também afirma que a companhia está “pré-aprovada” pelo Banco Central para incorporar o PIX, o sistema de pagamento gratuito entre pessoas físicas, na plataforma.

Na questão da logística, a nova plataforma da companhia permitirá que o vendedor e o comprador negociem as formas de entrega dos produtos comprados através dos Correios ou de serviços privados, que estão sendo contatados para serem incorporados ao aplicativo. “Antes você tinha que encontrar a pessoa e isso era uma grande dor”, diz o executivo.

Já os pagamentos pelas compras ficam travados e só são transferidos para os vendedores após os compradores confirmarem que a transação ocorreu de forma correta.  Chamado de compra garantida, o mecanismo ajuda os consumidores a se protegerem de vendedores fraudulentos que exigiam a realização de depósitos ou o pagamento com boletos falsos por produtos ofertados na plataforma.

Sobre comparações com rivais, a OLX, porém, ressalta que sua plataforma é a única que permite a negociação direta entre os usuários. “São modelos de negócios diferentes”, diz Rennó Jr.. Ele lembra que apesar do site ainda permitir a venda de produtos usados, a companhia passou a “focar mais em produtos novos e no vendedor profissional”, diz.

Rival do WhatsApp

A OLX Pay também chega em um momento em que o mercado de pagamento ganha um competidor de peso: o WhatsApp. O mensageiro passou a aceitar a transferência de dinheiro pelo aplicativo. É possível fazer isso utilizando catões de crédito e débito dos bancos Nubank, Sicredi e Banco do Brasil. É possível enviar até R$ 1.000 por vez ou receber até 20 transferências por dia com um limite de R$ 5.000 por mês.

Ainda que o material de marketing do Facebook explore a funcionalidade como uma forma de permitir que pessoas transfiram dinheiro para amigos e contatos, o recurso poderá ser utilizado por vendedores. Em entrevista à EXAME, Matt Idema, diretor de operações do WhatsApp, afirmou que “se você é um negócio, haverá uma pequena taxa de processamento”.

Mas no caso do WhatsApp, não há um recurso de compra garantida. Ou seja, o dinheiro enviado pela plataforma não fica em juízo até que o negócio seja realizado. Desta forma, o aplicativo pode se tornar uma ferramenta útil para a aplicação de golpes pela internet. “É um prato cheio para fraudes”, diz Ricardo Tavares, coordenado do curso de pós-graduação em segurança cibernética da Faculdade Impacta.

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