Abilio Diniz: como chegar aos 100 anos de idade com qualidade de vida

Se tem algo que o empresário Abilio Diniz sabe fazer é envelhecer bem. Aos 83 anos, foi atleta a vida inteira, tem atenção especial à alimentação e se exercita duas horas por dia, toda manhã. Todo dia, toda manhã. É com essa autoridade que ele e sua esposa, Geyze, lançam hoje a primeira temporada de podcasts do Plenae, plataforma focada em bem-estar, longevidade e qualidade de vida.

Serão seis episódios com histórias inspiradoras de diferentes pessoas, cada um disponibilizado gratuita e semanalmente no Spotify e no site http://www.plenae.com, com duração de 20 minutos. Cada episódio corresponde a um dos seis pilares do Plenae: corpo, mente, espírito, propósito, contexto e relações. Cada convidado irá contar um fato marcante de sua vida baseado em um pilar.

Lançado em 2018, o Plenae (www.plenae.com) é um hub de conteúdo sobre bem-estar, longevidade e qualidade de vida com dicas, reflexões, entrevistas e pesquisas que possam estimular gatilhos de mudança no comportamento das pessoas. Os fundadores do Plenae acreditam que para se ter uma vida longa e plena é preciso que o indivíduo esteja com os seus seis pilares equilibrados.

Agora, no podcast, Geyze e Abilio Diniz falam sobre o pilar relações. “Fomos nossos próprios convidados para falar desse tema”, brinca Geyze, que está à frente do Plenae, em entrevista à EXAME por Zoom. Ela conta que no ano passado o casal e seus dois filhos, de 13 e 10 anos, passaram seis meses em uma cidade no Colorado, perto de Aspen, em um período sabático.  “Foi muito frutífero”, diz Abilio, na conversa. “Éramos só nós, foi uma oportunidade muito grande para testar esse e os outros pilares.”

Além do casal, participam desta temporada inicial de podcasts o piloto Rubens Barrichello (pilar mente), a jornalista Mariana Ferrão (pilar corpo), a empresária Zica Assis (pilar contexto), o diretor de Relações Institucionais da Pinacoteca de SP, Paulo Vicelli (pilar espírito) e Henri Zylberstajn, pai do Pepo, que nasceu com Síndrome de Down (pilar propósito).

“Fizemos esse mix de pessoas mais conhecidas e desconhecidas”, conta Geyze. “São todas histórias fantásticas. O Henri, por exemplo, diz que quando descobriu que seu terceiro filho tem Down, sentiu no primeiro momento o mundo cair, mas depois renasceu. Ele ressignificou a vida a partir desse filho. O olhar para essas outras questões é lindo.”

Outra história que a comoveu foi a de Zica Assis. “A Zica tinha um cabelo black power, que teve que cortar várias vezes para poder ajudar a família, desde os nove anos de idade. A patroa dizia: ‘com esse cabelo, não””, conta Geyze. Um relato surpreendente, segundo o casal, foi o de Barrichello. “O Rubinho corria na Fórmula 1 com meu filho Pedro Paulo”, conta Abílio. “Eu tinha uma visão do Rubinho, bom corredor e tal, mas chorão, reclamão. O Rubinho cresceu, evoluiu.”

Segundo Geyze, o podcast chega em um momento em que estamos mais reflexivos por conta da pandemia do coronavírus. “As histórias vão inspirar muita gente, pois a jornada do outro ajuda a entender o mundo e a nós mesmos”, afirma. Ao final de todos os episódios há uma reflexão do monge Satyanatha sobre a história contada. “No fim ele dá aquela deixa: e você, o que está fazendo pelo seu bem-estar?”, conta Geyze.

Para Abilio, presidente do conselho da Península Participações, além de acionista da BRF e do Carrefour global e brasileiro, é preciso se preparar para viver mais e viver bem. “Quando você é jovem, precisa pensar em como vai subir uma escada quando tiver 70 anos. Suas pernas vão estar diferentes, seu equilíbrio vai estar diferente. As pessoas estão se preparando para viver 100 anos. Quem tem 40 anos não está nem na metade da vida”, afirma.

A medicina nos dá hoje condição de ter essa aspiração, diz Abilio. “Não é só saúde. A mente precisa estar legal, você precisa se preocupar como vai financiar a sua vida com qualidade quando chegar lá na frente”, diz. “Envelhecer é uma certeza. Envelhecer com qualidade já é uma escolha.”

Ele continua: “Quando você chega numa idade, carrega o que fez a vida toda. Não dá para imaginar que você levou a vida de um jeito e vai chegar no fim de outro. Minha mãe morreu com 99 anos, meu pai com 94. Mas está provado que a genética responde só por 20% da sua condição. O resto é com a gente, o contexto, o ambiente.”

Segundo Abilio, portanto, o envelhecimento é um reflexo de como foi sua vida. “Você consegue controlar muita coisa através de alimentação, educação física, não ser estressado. E trabalhar seu autoconhecimento. Por que você responde de determinada maneira a determinados estímulos? E ter propósito é muito, muito importante.”

The post Abilio Diniz: como chegar aos 100 anos de idade com qualidade de vida appeared first on Exame.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *