Foragida, mulher de Queiroz está recebendo auxílio emergencial

A esposa de Fabrício Queiroz, que é investigada pela Justiça do Rio de Janeiro, está entre as 63 milhões de pessoas que receberam o auxílio emergencial de 600 reais custeado pelo governo como ajuda à crise da pandemia do coronavírus para pessoas de baixa renda.  O cadastro de Márcia Oliveira de Aguiar foi autorizado pela Caixa e o primeiro pagamento foi depositado em uma conta digital em nome dela.

A confirmação do pagamento foi feita pelo Congresso em Foco por meio de um canal telefônico disponibilizado pela Caixa. Márcia também é alvo de mandado de prisão preventiva, e por não ter sido encontrada já é considerada foragida.

Preso nesta quinta-feira em Atibaia, São Paulo, Fabrício Queiroz pagou mensalidades escolares das filhas do atual senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), segundo aponta o Ministério Público do Rio (MP-RJ) no pedido de prisão preventiva do ex-assessor. Os promotores investigam Queiroz e Flávio por um esquema de “rachadinha”, como é conhecida a prática de devolução de parte dos salários por parte de funcionários, ocorrido no gabinete do então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Os investigadores cruzaram dados bancários de Queiroz com registros de movimentação do ex-assessor no caixa de um banco, obtidos através de câmeras de segurança. Ao comparar a data e o horário em que os valores foram movimentados, além das quantias, o MP argumentou que Queiroz foi o responsável pelo pagamento da escola das filhas de Flávio ao menos de outubro de 2018. Outros pagamentos também estão sendo investigados.

O magistrado também citou na decisão uma mensagem, obtida pelo MP antes da operação desta quinta-feira, em que Márcia compara o marido a um bandido “que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo.”

O juiz entendeu que, caso continuassem soltos, Queiroz e Márcia poderiam ameaçar testemunhas e atrapalhar as investigações da “rachadinha”. Segundo o magistrado, uma das testemunhas que deixaram de ser ouvidas por influência de Queiroz foi Danielle Nóbrega, ex-mulher do miliciano Adriano da Nóbrega, que esteve nomeada como funcionária de Flávio por dez anos e foi exonerada no fim de 2018 a pedido de Queiroz.

Queiroz foi encontrado em um imóvel registrado em nome de Wassef. O advogado, que compareceu a uma solenidade com a participação do presidente Jair Bolsonaro na véspera da operação desta quinta-feira, em Brasília, havia declarado em setembro passado que desconhecia o paradeiro de Queiroz. No entanto, um caseiro do imóvel relatou, segundo os policiais que cumpriram o mandado de prisão, que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro vivia no local há cerca de um ano.

Em depoimento por escrito ao MP-RJ no início do ano passado, Queiroz admitiu que arrecadava parte dos salários de alguns colegas do gabinete de Flávio, mas informou que os valores não eram devolvidos ao chefe, mas sim usados para financiar atividades externas e assessores informais. Queiroz, porém, não detalhou as atividades nem os nomes desses assessores. A prática é ilegal.

Para o MP, Queiroz não agiu sem o conhecimento de seus superiores hierárquicos — isto é, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro —, já que mensagens do próprio ex-assessor para Danielle da Nóbrega, obtidas pelo MP, apontam que ele “retinha contracheques para prestar contas a terceiros sobre os salários recebidos pelos ‘funcionários fantasmas’ e os percentuais retornados (‘rachadinhas’) à organização criminosa.”

Mais cedo, em publicação em suas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro disse encarar “com tranquilidade” a prisão de seu ex-assessor. “Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, escreveu Flávio.

O presidente Jair Bolsonaro não havia se manifestado até o início da noite desta quinta-feira.

 

 

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