Nova faculdade de empreendedorismo em São Paulo dá bolsas de até 100%

Prédio da Link Business School, em São Paulo: regalias para formar empreendedoresLink Business School/Divulgação

Com a chegada do modelo das startups e seu crescimento nos últimos anos – até a ascensão dos unicórnios e, mais recentemente, dos camelos –, a busca pelo conhecimento sobre empreendedorismo moldou diversas escolas mundo afora, presenciais ou virtuais.

No Brasil, cursos tradicionais ligados ao mundo corporativo já vêm se transformando para oferecer ferramentas àqueles que desejam se aventurar na construção de um negócio próprio. Pela primeira vez, no entanto, uma faculdade prepara um curso de graduação voltado exclusivamente para o empreendedorismo.

O apoio na elaboração de negócios é o foco da Link School of Business, que dá início às aulas em agosto. Com sede em São Paulo, a escola oferece um único curso, de administração, em modelo idealmente presencial, mas com capacidade de ser ministrado integralmente online, caso as restrições de circulação se prolonguem em função da pandemia da covid-19.

“Começaremos no dia 3 de agosto, pelo sim ou pelo não”, diz o administrador Álvaro Schocair, que fundou a Link ao lado da economista Luiza Azevedo. “Temos uma parceria com o Google desde quando estruturamos a faculdade, o que nos dá ferramentas de educação para aulas à distância e organização de conteúdos, tudo desenhado para a escola.”

Schocair e Azevedo têm formação pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Insper, respectivamente –instituições conhecidas pelo foco nos negócios. Ainda assim, a dupla percebeu a necessidade de oferecer disciplinas específicas para quem busca empreender.

“As escolas tradicionais brasileiras preparam mais executivos e funcionários de carreira do que empreendedores”, diz Schocair. “Em média, 3 a 5% dos formandos destas instituições empreendem, índice que sobe para 20% em Stanford e chega a ultrapassar os 50% em universidades de Boston.” Segundo ele, a ideia é ampliar a formação do empresário brasileiro que, hoje, aprende muito na prática, por meio de tentativa e erro.

Um (ótimo) carro por ano

A mensalidade, é salgada: são R$ 8.900 para estudar por lá. O alto valor se justifica pelos diferenciais oferecidos pela instituição. Desde o início do curso, cada aluno inscrito tem o apoio de um grupo de mentores, que fazem um acompanhamento durante os quatro anos de graduação.

“Em outras faculdades, o aluno é só um número a mais. Queremos acompanhar cada aluno de forma pessoal, saber quem são, quais são seus sonhos”, diz o fundador, reforçando que os estudantes também terão acesso a personal trainer e nutricionista.

Além disso, a Link disponibiliza espaços no edifício onde está instalada para abrigar as empresas criadas pelos alunos durante a faculdade. Seis possibilidades de programas internacionais também estão inclusas na mensalidade. Assim, o aluno pode passar períodos em Harvard, Stanford, Instituto Disney, London Business School ou universidades em Xangai e Tel Aviv.

Schocair destaca, ainda, visitas semanais a empresas e uma remuneração robusta aos professores. “Fizemos algo realmente diferente, e isso é custoso”, diz.

Bolsas

Para Schocair, a Link é uma escola de elite, mas não se restringe a quem pode pagar. “Depois de passar no processo seletivo, não importa se o aluno tem ou não capacidade financeira”, diz. “Dinheiro não é um impedimento para estudar aqui.”

Ele explica que a escola tem um fundo de bolsas nos moldes de Stanford, e que a solução já suporta a formação de três turmas com financiamento integral. Não existe um programa específico para a gestão do benefício – as bolsas podem variar de 1% a 100%, de acordo com a necessidade de cada um.

O apoio exige contrapartidas. Para manter o benefício, é preciso ter presença nas aulas e evitar trancamentos e reprovações. Após a conclusão do curso, o aluno tem até oito anos para restituir o valor investido pela faculdade. A ideia é que o pagamento ocorra por meio do faturamento que o aluno terá com a empresa criada durante o curso.

“Caso o aluno não consiga desenvolver a empresa, entendo que teremos falhado junto com o aluno”, diz Schocair. “Havendo integridade e honestidade, mas não havendo capacidade, assumimos o risco. Acredito que estes casos vão existir, mas há formas de postergar o prazo ou entender que não deu certo.”

Alvaro Schocair e Luiza Azevedo: fundadores da faculdade de empreendedorismoLink Business School/Divulgação

Vagas e processo seletivo

Neste primeiro semestre, a Link oferece 50 vagas. A ideia, no entanto, é receber 100 alunos a cada semestre.

O processo seletivo inaugural ocorreu no início do ano, com 602 inscritos. Um novo processo terá inscrições abertas entre 20 e 27 de junho.

Schocair afirma que a seleção ocorre de maneira diferente dos vestibulares tradicionais – por isso a escola o batizou como “jornada”. “Preferimos olhar para outros atributos. O bom empresário nem sempre leu ‘Dom Casmurro’ ou sabe o que é mitose ou meiose”, diz.

As provas foram desenhadas em conjunto com Google, Stone, Ambev e XP Investimentos. Casos reais destas empresas são apresentados aos participantes do processo, e executivos das organizações participam da avaliação.

“É fundamental ter bom inglês, raciocínio lógico, capacidade de expressão oral e colaboração com os outros”, diz o fundador. “Consideramos até mesmo a vontade e o brilho nos olhos, que você não pega com uma redação do Enem.”

Aceleradora

A faculdade funciona, também, como aceleradora. Schocair explica que há um caixa reservado para aporte nas iniciativas dos alunos. “Criamos uma rede de sócios e conselheiros bastante grande, para que grandes empresas possam fomentar iniciativas de impacto em seus próprios setores”, diz.

A Link deve entrar com capital próprio entre um e três milhões de reais para as primeiras empresas que surgirem. Depois, a aceleração ficará por conta das parceiras com o mercado comum.

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